Controlar despesas, ter uma reserva e investir são os três pilares para driblar a crise

Por: Equipe InfoMoney
07/01/09 - 18h31
InfoMoney

SÃO PAULO - As perspectivas para esse ano de 2009 é que a crise econômica prevaleça. Diante deste cenário, as pessoas se perguntam se é um bom momento para controlar as despesas e as receitas ou começar a investir, caso haja uma renda extra.

Fazer um planejamento financeiro é fundamental em qualquer momento para todos. Em tempos de crise, então, um bom orçamento torna-se uma ferramenta vital para evitar prejuízos, assim como fazer uma reserva, com o intuito de se precaver de alguns imprevistos, por exemplo, como o desemprego, e até começar a investir, se houver condições para isso.

Planejamento Financeiro

Estabelecer um planejamento financeiro não é fácil para a maioria das pessoas.

De acordo com o professor de Finanças do Ibmec São Paulo, Ricardo Humberto Rocha, ter um planejamento financeiro é fundamental.

"Fazer um planejamento é fundamental para 2009. A pessoa pode começar a calcular as despesas essenciais, ou seja, aquelas que ela não pode deixar de pagar, como contas de água, luz, manutenção de imóvel, mensalidades escolares, transporte, alimentação, entre outros gastos e verificar a fonte de renda", afirma Ricardo Humberto.

Para o estrategista de investimentos da gestora de fundos do Banco Real e autor do livro "Finanças Comportamentais", da editora Campus-Elsevier, Aquiles Mosca, a maioria das pessoas não sabem quais são as suas despesas.

"A pergunta correta que cada um deveria fazer para elaborar um bom orçamento é: quanto você custa por mês? Com essa resposta, a pessoa pode revisar os seus gastos e cortar os elementos supérfluos", revela.

Como elaborar um orçamento?

Segundo Rocha, para começar a elaborar um orçamento eficaz, a pessoa pode separar todas as suas despesas durante o ano inteiro e listar os gastos mensais.

"Uma dica para saber o quanto você gasta é juntar todas as faturas de cartão de crédito, dos últimos 24 meses, e identificar com que você gastou e quanto? Assim, será possível detectar os gastos que poderiam ser evitados em 2009, como, por exemplo, uma redução do número de refeições fora de casa, se a renda estiver menor neste ano", revela Ricardo.

O professor ressalta, também, a possibilidade de reduzir gastos imperceptíveis, como alterar o plano de telefone para um plano mais adequado com o uso da família. Muitas pessoas utilizam os planos antigos e nem percebem que podem diminuir as contas de telefone.

Além disso, pagar as contas em dia para evitar as taxas de juros decorrentes ao pagamento em atraso é uma ótima alternativa para reduzir as despesas no orçamento.

"A crise é uma boa oportunidade para se educar financeiramente. São nesses momentos que o orçamento é o elemento mais importante", garante Rocha.

Atenção!

É melhor previnir do que remediar. Esse ditado popular é muito bem vindo no planejamento financeiro. Por isso, fazer uma reserva é muito importante se você não quiser ter problema com a crise. Mas, como?

Para Mosca, uma boa reserva para uma situação de emergência é aquela onde a pessoa consiga poupar o dinheiro necessário para cobrir seis meses do seus gastos fixos. Pois, segundo as pesquisas do IBGE sobre a taxa de desemprego, no ano de 2008, um semestre foi o período de recolocação no mercado de trabalho. Com a crise, esse prazo pode se estender para oito meses.

Já o professor Ricardo Humberto acredita que é necessário poupar 18 meses os valores dos gastos mensais. Assim, se uma pessoa tem uma despesa de R$ 5 mil por mês, ela deverá ter uma reserva de R$ 90 mil para viver tranquilamente, com os mesmos hábitos de consumo, em uma situação de emergência.

Investimentos

Com o orçamento bem planejado e uma reserva, chegou a hora de pensar em investir.

Para aquelas pessoas que possuem um dinheiro extra na conta-corrente, Mosca recomenda não deixar esse recurso ocioso e fazer aplicações.

O advento da crise torna o mercado de ações bastante atraente, uma vez que os títulos brasileiros estão bem mais baratos. Porém, cabe ressaltar que, antes de entrar nesse mercado, a pessoa precisa descobrir o seu perfil de investidor.

"Só é aconselhável investir em ativos de risco (ações), quem tiver certeza que não precisará do dinheiro investido em, no mínimo, 12 meses. Além disso, o investidor precisa ter apetite para o risco e estar preparado para ver o fluxo flutuante do mercado de ações, ou seja, as valorizações e desvalorizações", ressalta Mosca.

O professor de finanças do Ibmec São Paulo, Ricardo Humberto, alerta que, se o dinheiro extra tem um próposito, como a realização do sonho de uma casa própria ou casamento, não vale a pena investir em ações, mas, sim, em renda fixa, de preferência CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) indexados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que são investimentos de baixo risco.

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